domingo, 20 de dezembro de 2015

O mea culpa da esquerda, ou: o diálogo com o petista


Espera aí. A discussão não começa pela economia. Antes de qualquer questão, deve-se exigir do petista que renegue seu passado recente, que queria instaurar o totalitarismo proletário. Era (1) a má intenção que desejava (e deseja) a morte do que representa a ordem vigente; (2) o desejo de um sistema igualitário que não funciona e nunca funcionará. Só o Fernando Gabeira o fez, dos que verifiquei.



Quando o petista vier falar de "boas intenções dessa política", ou que "sempre roubaram" ("isso é Brasil"), ou de "elite golpista"... exija assim: "não converso com você antes que você renegue seu passado do ódio de classes que se orgulha da sanguinolência de Marx, Fideu, Mao, Trotsky... e tantos outros gurus da morte".

Numa forma completa, a renegação pública deveria ter uma forma como a que se segue:

"Eu, (nome do ex meliante), confesso que aderi a uma seita de pessoas que sempre olhou com ódio a todo poder que estivesse nas mãos de outrem. Na verdade, meu passado ideológico se resumia em ficar me nutrindo de pensamentos, leituras, discussões cuja única finalidade era de retro-alimentar em minha consciência a  obsessão de que todo poder sempre foi uma imposição usurpada e que no mundo só havia cinismo.


"Toda boa ação, eu acreditava, vinha de uma manipulação social cujo único propósito era manter as relações de poder. Na verdade, para mim, não existia bondade: tudo era uma fantasia burguesa cujo único propósito era amortecer o pretenso ódio de classe. Mas esse ódio de classe nunca existiu, mesmo que eu tentasse operar na cabeça dos outros a mesma lavagem cerebral que diariamente fazia em mim mesmo.


"No final das contas, por mais que eu perpassasse em minha mente os mais sutis conceitos sociológicos, percebo agora que a única coisa que eu fazia era encontrar o ódio onde não havia, fabricá-lo onde estava a leveza e a inocência. No final das contas, similar à lei do amor — que antes de tudo ama, sem perguntar o nome, a origem ou os pecados — eu seguia servindo à lei do ódio, que acredita (ó pouca fé!) que no mundo só há ódio.


"No início, minha vã filosofia exalava o ar da justiça e da harmonia entre as pessoas, isso animava as ações a mim e a meus companheiros. Por fim, vi que era só fingimento, que eu e meu 'amigos' destruíamos os que afirmávamos serem opressores, mas acabávamos por ver em nós mesmos a mesma desgraça humana que estávamos combatendo.

Daí que surgiu em mim e em nós o sentimento hipócrita de que só há maldade no homem e no mundo e que o bem é impossível. Ó loucura de minh' alma! Vi a mim mais mau do que ao opressor que desterrei. E continuei na minha religião cuja doçura estava só em destruir. No fundo do meu espírito eu sabia que essa desconstrução não serviria pra nada depois, mas a destruição era o fim em si mesma.


"Após ter perdido completamente o sentido pela vida e pelas coisas, assumi a religião do indiferentismo: tudo é igual, nada é melhor. Se eu amava, dava no mesmo que se odiasse. Se me divertia à custa dos outros, tanto faz, pois o mundo não tem sentido mesmo e estou eu aqui na burocracia comunista, a intelligentsia do nada.


"Nessa minha religião, eu só enxergava o bem. O bem era bem e o mal também era bem. Isso me trouxe a paz interior e eu fiquei zen. Mesmo que ao meu redor o estado estivesse praticando sacrifícios humanos (aborto, assassínios, perda da consciência e da inocência), tudo isso se prestaria a incrementar a sabedoria universal e o espírito dos tempos.


"Reconheço que fiz as palavras perderem seu significado e tornassem algo amorfo. Lutei para destruir qualquer disposição estabelecida, os costumes legados pela sabedoria incremental das gerações. Da minha mente e de meu grupo viria tudo o que é preciso saber e viver.


"Mas ao fiz percebi que o mundo existe e que as coisas são coproporcionadas. Mesmo que eu não enxergue o que seja o bem absoluto, é possível reconhecer o que é melhor. A humildade me ensinou a reconhecer no outro, ou mesmo no 'sistema' uma sabedoria que eu não domino por completo. Pus-me em combate contra tudo isso e me arrependo de ora em diante."

Alguns dirão que cometo uma injustiça com a esquerda, que o PT não a representa. Na verdade, isto é o oposto do que conclui. O PT e sua práxis do poder são a verdadeira esquerda, ao redor dos quais orbitam o resto da esquerda (linha auxiliar) do cenário brasileiro.

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