quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Oráculo brasileiro

O eleitor brasileiro deve-se acostumar com o longo prazo. Privilegiar o candidato com bom senso de prioridade e exequibilidade. Mentira, nem pensar. Projetos duradouros antes dos imediatistas.


No entanto, vemos sempre um debate em que cada um entra na loteria de escolher a melhor promessa de agora. E o eleitor fica mudando de opinião, como se isso combinasse com o planejamento de longo prazo. Querem um ganho político assim como o que o Brasil ganhou na copa. A copa é a melhor imagem do improviso político brasileiro. Isso inclusive dá margem a pesquisas e urnas duvidosas, pois tudo é verossímil nesse Brasil de improviso e "inspiração".

O Brasil até evoca uma magia do inexplicável. Mas isso não precisa ser assim. É feito assim para que o brasileiro, no espírito paganizado dos oráculos, aceite tudo, aceite o "espírito dos tempos", outro Deus pagão (chronos).

Basta que as coisas sejam mais previsíveis e lógicas, pra acabar com esses lances.

Concretamente, recomendo o eleitor escolher agora quem vai votar e sustentar até o fim. Eu por exemplo, considero Marina, Dilma, o Everaldo, os outros nanicos, fisiologicamente (no esquema de coligações, apoio das bancadas) aliados. Como quero fora PT, só me resta o PSDB, que, embora socialdemocrata (esquerdista light, de passo lento e aparência liberal), é individualista e não está no esquema do Foro de São Paulo. É o mal menor.

Apostemos na constância, na memória, no factível, no longo prazo (mal menor, menos destruição) e retomemos gradativamente as ferramentas da ação política, já aparelhadas por demais.


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Publicado no Facebook em 23/08/2014, às vésperas da eleição presidencial do Brasil.

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Post scriptum em 03/08/2015

Como argumentar sobre o longo prazo, se basta o candidato dizer "nós pensamos no longo prazo"?. Este problema é antes um problema moral, assim como o essencial de uma sociedade muda pouco, ao passo que a "perfumaria" da sociedade muda muito. Precisamos antes fazer um exercício de reflexão para ver os nossos valores essenciais enquanto sociedade.

Para começar, a mentira não pode ser tolerada. O discurso do meliante pode se adaptar a gregos e a troianos, mas ele só poderá agradar a um deles, ou nenhum deles. Agora, se a práxis do partido permite a mentira como instrumento de tomada de poder, o partido deve ser banido do cenário.

Em segundo lugar a corrupção em sentido amplo. É muito pior a corrupção dos costumes (tornados pervertidos a partir das escolas), dos vícios e drogas, da palavra não honrada... tudo isso é muito pior que meramente roubar o nosso dinheiro (o que é escravizar-nos). A lei, a ordem, a soberania devem se antepor a qualquer prioridade: segurança é mais importante que educação e saúde. PONTO. E nisso se inclui segurança jurídica. Se o estado não é capaz de fazer sua função primordial, é melhor que se retire da educação e da saúde, pois já tem atestado de incompetente.

Os projetos devem ser discutidos no mérito. De nada adianta falar: nós gastamos 10% do PIB em saúde. No Brasil gasta-se mal, para começar, com os gastos de comissionados e com o estado inchado. A estabilidade do funcionário público é outra chaga do Brasil, assim como a CLT, que só faz desvincular o salário de quanto se produz: a CLT é um incentivo à indolência. Mas as pessoas querem consumir o que os outros produzem e não querem produzir elas mesmas para os outros: o problema é moral, mas a lei incentiva o desânimo, prometendo "segurança e estabilidade" (só garante pobreza).

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