sábado, 27 de junho de 2015

Amizade e amor ao próximo


Jesus Cristo deu o exemplo do sumo amor. Se devemos amar a Deus (o princípio) sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, no auge amaremos como ele nos amou: entregou-se a sim mesmo em reparação.

Quem é o próximo? Mais próximo de mim sou eu mesmo. Um pouco mais longe filhos e esposos. Um pouco mais a  família toda, a o trabalho, a comunidade, a pátria, o homem, o mundo.
 Amor é fácil de se imaginar, mas difícil de explicar. Eros (sexo reprodutivo), philía (amizade), e ágape (bondade desinteressada) dão uma noção de que o amor perpassa por todas as atividades do homem, preenchendo-as de significado divino, pois o mais ínfimo remete ao sentido do todo. Ao dividir em dez mandamentos, nós temos uma tábua com dez formas de amar:
  1. Reconhecer a unidade de todas coisas em Deus, princípio uno e acima da realidade;
  2. Não banalizar o sentido das coisas, a verdade que Deus representa em seu nome;
  3. Respeitar os ciclos da vida (ano, mês, dia) do trabalho e da santificação e descanso (domingo);
  4. Honrar a nossa origem (pai, mãe, avós... Deus), pois dela herdamos a vida, a cultura e as oportunidades;
  5. Respeitar a vida, que está lá por vontade divina, e não desejar que a morte a apague;
  6. Respeitar a propagação da vida através dos cuidados da família monogâmica, ato ordenado e abençoado em função dos filhos (e não do prazer);
  7. Não roubar o fruto do trabalho alheio, pois assim também rouba-se aquele tempo dedicado e escraviza-se o outro; ou seja, respeitar a liberdade alheia;
  8. Não mentir contra alguém e sua honra;
  9. Não cobiçar/invejar (matar) a mulher/ família do próximo;
  10. Não cobiçar/invejar (destruir) os meios de acão do próximo.
Tendo definido o "próximo" e o "amor", indico uma forma prática (e instintiva) do amor ao próximo: amar mais quem está mais próximo e menos quem está mais longe. Isso é a regra de amizade entre amigos, esposos, família, comunidade, pátria etc. Quem não gasta mais e dedica mais do seu trabalho com sua família e seus filhos?

Quem está mais longe? Quem deseja o meu mal. Ora, o outro pode ser meu inimigo agora, mas refletir e tornar-se próximo de mim. Inimizade perpétua e odienta somente entre os filhos da serpente e os filhos (da mãe) de Deus.

Quando dou mais amor a quem está mais próximo de mim, eu compartilho aquilo de mais íntimo e valioso que disponho. Daí o "não dar pérolas aos porcos". Só compartilho as minhas profundezas — minhas crenças, angústias e felicidades verdadeiras — com quem possa ressoar mais comigo, ou seja, com quem está mais próximo/parecido comigo.

Nós temos vocação para irmãos! Como meu irmão se parece comigo!

Por isso procuro antes me relacionar (amigos e esposos) com quem é mais parecido comigo. E trato com maior distância quem se mostra como inimigo.

E o nosso íntimo, que compartilhamos com quem está pertinho, consiste no sentido que damos à nossa vida, é o que dá significado as coisas e ordena os valores. É o espírito, são as idéias de minha cosmovisão. A gente pode até alterar esse íntimo, mas é uma lapidação difícil e demorada, em que nós amolecemos o nosso coração para receber a verdade.

Por tudo isso, quero aconselhar uma coisa. Na verdade só quero explicitar/organizar o que todos já sabem e praticam. É que não vacilemos de estar com quem se parece conosco. Se um amigo ou pretendente não se parece conosco, não se engane: pelo menos no longo prazo deverá parecer, caso contrário não haverá relacionamento.

O mesmo deve orientar as brigas políticas. Combato mais o que está mais longe de mim. Por que vou gastar energia numa pequena discordância antes de resolver uma grande ameaça? Agora, evitemos a maledicência, que é absolutamente ruim!

Quem acha que pode só ter amizades discordantes, só terá amizades superficiais. E quem não se relaciona por inteiro, como por exemplo na mútua entrega entre esposos, não se relaciona de forma nenhuma.
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PS: amor ao próximo é antes de tudo amor à verdade.

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