terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Negação VI - Devemos ser práticos

Um bom marxista, ébrio da superioridade de seus princípios, dirá arrogante que devemos esquecer todas essas querelas ideológicas e que partamos logo, sem perda de tempo, à tão sonhada PRÁXIS. O marxista se considera antes de tudo um cara prático.



Mais uma armadilha do duplipensar, mais um vocábulo da novilíngua. Eles confundem prático com fácil. A operação mental (vejam bem: mental e não prática) do marxismo, que é a sua base, é a redução de toda a complexidade das relações humanas às operações econômicas. Faço um parêntesis entre colchetes.

[O homem é um ser tracionado entre a matéria (plural e mutante) e o espírito (lógico e eterno) e a mediação dessa tensão e contradição se passa em sua alma, que muda e é eterna. Existe um contínuo de substância e seres desde a matéria (que se vê pelos sentidos ordinários) até o espírito (e a hierarquia celeste). As ciências atravessam esses extremos: física, química, biologia, psicologia, artes, sociologia, história, moral, filosofia, teologia, matemática]

Deste intermezzo se conclui que a redução de tudo à economia é pura e simples burrice. Com isso resumo minha opinião sobre marxismo.

Mas como se chega à práxis marxista? É o caminho da facilidade, pra evitar fadiga. Um investigador prudente da realidade usa da paciência para confrontar as incongruências da realidade. Com calma, ele deixa aflorar o conhecimento da lenta observação.

O marxista estabanado, querendo logo ação (destruição), ao invés de meditar as coisas em si, concebe a ação mais simples, que não contradiga seu dogma: "meus deus é a economia, minha práxis o materialismo dialético".

Porque era burro e arrogante, o marxista partiu logo para a práxis em razão de ter reduzido a realidade à sua burrice. Não pensou o suficiente e acreditou ter concluído tudo. Não precisando concluir mais nada, partiu para ação. Fez só merda.

E a práxis se tornou o seu contrário. O que deveria ser ação alicerçada e compenetrada na realidade, passou a ser ação em cima de uma teorização abstrata e delirante.

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