terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Droga de vida

Hominem totum plet vitium

Morre o primeiro soldado das Forças Armadas (FFAA) em operações do tipo Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). A notícia soa como quebra de paradigma, pois é o primeiro, um escândalo. O militar das FFAA, conforme seu treinamento, quando entra numa operação, é para matar ou morrer. Por isso ele evita briga e deve trabalhar sob os auspícios da obediência: a hierarquia e disciplina são seus pilares e é o único trabalhador que aceita a priori o risco de vida. A população pode até achar que não, mas num momento vai desejar ter consigo gente assim.


 No entanto, amarraram as mãos dos soldados que foram "pacificar" as favelas. Os entregaram como cordeiro, para fazer o que não são treinados. Sua tenacidade é o que há de maior no ser humano, mas ele não é um policial que trabalha e folga o mesmo período: é para matar ou morrer. A sociedade ensina: "se um ladrão te assalta, não reaja". Só não se explica porquê que o ISIS decapita cristãos ou porque socialistas fazem apologia à violência gratuita (considerando que o homem é bom), como  quando o PCC manuseia a violência. Matar gera um efeito psicológico na sociedade, que já tem plena impressão de que não há lei, ou seja, vale a lei do mais forte (mesmo que ele esteja de toga).

Direitos humanos, esquerdalhas, petralhas desarmam os cidadão, acusam-nos de apologetas da violência. Mas quem consente em fazer do Brasil o país mais sanguinário do mundo? Não há convivência com o pecado: ou o matamos ou ele nos mata. Por isso que devemos voltar com a pena de morte para crimes excessivamente prejudiciais, como o tráfico de drogas e corrupção de menores. Sim senhor! Quantos crimes hediondos somos forçados a engolir, com requintes de crueldade?

Até quando o brasileiro vai achar que é possível conciliar coisas díspares, imiscíveis? Alegarão: "ah, mas acabar com o tráfico não acaba com o problema", como quem diz que os usuários encontrarão um jeito mais discreto (e caro) de consegui-las. Mas é possível resolver sim: matem todos que se alimentam do vício, como em Cingapura ou na Indonésia. Não há como negar que funciona, mas só funciona porque é drástico, como deve ser toda a resolução firme de acabar com um problema.

Deve-se cultivar o senso da proporcionalidade (coisa que esquerdistas não têm), permitindo penas minimamente proporcionais aos danos causados pelos criminosos. Com certeza a morte nesses casos hediondos é muito mais branda do que o mal causado. Ou acabamos com o problema, ou fingimos combatê-lo, na verdade alimentando-o. A virtude está no meio, no senso das proporções, na ponderação: para algo extremo, reação extrema. Chega a ser até uma questão simbólica a sociedade se permitir a certos crimes, como se ela estivesse se imolando.

É, mas sem o mínimo de piedade? E o mínimo de bondade que as pessoas tenham no coração? Não devemos dar a elas uma chance? Quem nunca se arrependeu? (quem nunca viu criminoso que finge que se arrependeu, mas no fundo se orgulha do que faz?) Confesse que errou (principalmente a Deus e à própria consciência) e assuma a responsabilidade. Se na guerra eu desejo que meu soldado derrote (entenda bem que isso significa "mate") o inimigo, até que o soldado seria o melhor para o combate a crimes hediondos, desde que se tivesse vontade de acabar com o problema.

Mas espere, minha Nossa Senhora! Amparai-me nesse meu julgamento severo! Quantas pessoas não condenarei assim, sendo que o mandamento apropriado é o não julgarás (Mt 7, 1)? Por isso entrego esse problema em suas mãos ternas. Cada pessoa, no momento do vício, pegue um terço e reze à Nossa Senhora, pondo o erro nos cuidados dela, para que ela mesma remova esta dependência e todo o mal que brota do vício para a sociedade.

Quem de nós não chega em casa sobrecarregado do peso da incompreensão, injustiça e agressão diária? E para nos apoiarmos, usamos a muleta do escape, da embriaguez, do estupor. Os sete capitais são OS exemplos de muletas, para compensar essa opressão diária:
  1. Eu posso inflar meu ego além da medida, aparecendo socialmente, me cercando de poder e favorecendo a minha adulação [orgulho/vaidade];
  2. Eu posso me precaver acumulando as provisões, dinheiro, bens, sempre me colocando como prioridade, esquecendo sempre do bem do próximo [avareza];
  3. Eu devoro um chocolate compensando minha carência, ou só sou capaz de me sentir seguro me empanturrando de carne e cerveja, numa festa que me faça esquecer o mundo [gula];
  4. Eu busco a promiscuidade, a prostituição, a masturbação, a pornografia, tudo para ter o prazer sexual, que alivia a tensão, gera bem-estar, além do que, usando o outro numa relação sem sentido e não humana (animalesca), eu me vingo dessa sociedade [luxúria];
  5. Eu me desanimo, minha luta já não tem valor, sou escravo do trabalho e em casa já não tenho energias para criar, não adianta mais nada, porque a sociedade não tem mais jeito [preguiça];
  6. Eu ponho no outro a culpa do meu mal, já que ele usurpou de mim e tem o que eu não tenho, vivo de fofoca, pois que os outros não cansam de estragar o redor [inveja]; e
  7. Tudo e todos estão errados e só resta pra mim destrui-los, pois que já não posso com isso e o sangue subiu à minha cabeça (comunismo) [ira].
Entrego minha vida e meus problemas nas mãos daquela que me permitiu chamar Deus de irmão e que por isso é minha mãe. Assim como entrego meus problemas a Cristo e carrego com ele a cruz da mortificação das vaidades, entrego-me aos cuidados de sua mãe, pois que sou aquele que Jesus mais amou (Jo 13, 23), aquele mesmo que tomou Maria como mãe (Jo 19, 27). Somos filhos de Deus (Jo 1, 12), caso o escolhamos e ele nos colha, como a um bom fruto (Mt 13, 24-30) da árvore (Jo 15).


Idolatria. Roma caiu por que? Porque seus vícios a derrubaram, ela deixou de ser a terra da força, da simplicidade e da sobriedade. Israel, que era governado por Deus com auxílio de juízes, pediu o ídolo do poder terreno: quis um rei. Deus, que o escolhera, sempre quis fidelidade. Davi, confiando em suas forças, desagradou a Deus (1 Cron 21), que deu a escolha da punição: fome, a espada dos inimigos ou a espada de Deus (peste). Isso é uma figura das opções que a sociedade tem para seu futuro de imoralidade: a desordem social; as intrigas contras os inimigos (e o pior é o interno); a doença da alma e do corpo.

Tudo isso, os frutos da imoralidade, envolve sangue, sofrimento, escravidão e morte. Esses vícios são os próprios ídolos dos pagãos, cuja iniciação era: entregar sangue inocente (seja de filhos ou escravos) nos altares, praticar orgias, invocar para si os aspectos de deuses animistas (sol, estrelas, rios, chuva). Sendo que o homem é a imagem e semelhança do Deus verdadeiro e não pode se rebaixar a nenhum desses aspectos parciais da realidade. Israel, de traição em traição, caiu até não ser mais nada. Mas ao mesmo tempo foi tudo (afinal era escolhido): o trono onde nasceu Deus e onde ele ofertou a si mesmo.

A postura que os indivíduos e a sociedade podem ter com as drogas não tem tantas opções assim, demonstro todas as possíveis, que envolve a combinação repressão vs liberação e virtude da alma vs libertinagem (estado social e interior):
  • Continua com a apologia às drogas e o incentivo ao livre comércio no mesmo mundo egoísta [liberação com libertinagem]. Favorece a incompreensão no trabalho, a lesão anímica e intelectual e física, a muleta da fuga... enfim, a incompreensão geral, regada a sangue de inocentes, que ficam no meio do caminho dos egoístas e irresponsáveis;
  • Repressão com descuido das educação da alma [repressão com libertinagem]. Favorece o derramamento de sangue de quem tem culpa, traficantes e usuários (que sempre ampliam a quantidade "para consumo próprio") e evita que inocentes entrem desnecessariamente no vício;
  • As coisas ficam livres mas as pessoas procuram se cultivar [liberação com virtude]. Favorece que as pessoas se livrem de muletas, mas a sociedade pode injetar o veneno do vício, atrapalhando a auto-educação de inocentes; e
  • Repressão dos que querem corromper as consciências e repressão dos impulsos internos de escravidão pelos vícios. A melhor opção, que protege os indefesos, que não têm discernimento para ver essa enrascada (e a idade do discernimento varia entre as pessoas) e favorece que as pessoas busquem o cultivo de si, como se a estética da própria beleza fosse o mesmo da de uma casa ou de uma obra de arte.
Mas quem busca se cultivar nessa sociedade relativista? O Brasil vai escolher uma dessas opções. O fato é que a droga é uma síntese dos vícios de cada um dos pecados capitais:
  1. A pessoa se acha senhora de si, inclusive para se destruir; impede a humildade e favorece a soberba, o orgulho e a vaidade;
  2. O egoísmo do escape faz da pessoa abandonar o mundo e não oferece nada mais que o mesmo remédio -- o escape; não cultiva a generosidade, pois não abre mão de possuir aquela sensação, é avarenta de seu êxtase, o seu maior quinhão na terra.
  3. A droga nunca sacia, mas vicia, precisa sempre de mais; afasta a temperança e traz a gula;
  4. Ela favorece a perda de significação da vida, a objetificação do homem e facilita a entrega sexual bestial; afasta a castidade, a pureza, a simplicidade e traz a malícia e a luxúria;
  5. Ela preenche as pessoas de falsa satisfação, mas as deixa inanes e inermes, como se o "estado zen" (ausência de tudo, de ação, de criação) fosse o nirvana; afasta a diligência e traz a preguiça;
  6. Ela traz o ódio contra a inocência, não a suporta e quer destrui-la nos outros a todo custo; a visão da força e da virtude dos outros traz o olho esquivo da inveja e afasta a caridade;
  7. A pessoa nunca tem paz de espírito, o mundo sempre a aferroa e nela só resta a sensação de ser injustiçada e por isso reage com destruição da ordem; já não tem paciência, mas ira.
Quem não quer deixar-se levar pela força de Deus cai na idolatria da confiança em si. Como somos pouco, preenchemos com as falsas metas da vida, as idolatrias específicas, que consistem em confiar no produto da mão do homem (cujas "estátuas" são meras alegorias): a fama, o dinheiro, a fartura, mulheres, poder etc. A droga é o lubrificante de toda idolatria, de todo o vício.

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