segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Timing - Brasil 2014

Na hora certa

Antes de começar, dois pressupostos, amplamente discutidos em textos anteriores e que não serão discutidos aqui: (1) O PT (por PT entenda-se a esquerda quase inteira) sempre teve a mesma diretriz comunista; (2) a tomada do poder é considerada no sentido mais lato possível, ou seja, o vácuo mais impensável e sutil de poder será ocupado.



Comecemos. Vários fatos, caóticos, têm fervilhado na recente história brasileira. É difícil estabelecer relação, mas os solto aqui aleatoriamente e fora de ordem. Acabam as eleições presidenciais e Dilma vai para completar 16 anos do PT no poder; protestos reclamam da ordem que aí está, uns querem a volta da ditadura, outros querem fazer valera a democracia (corroída), duvidam da honestidade das urnas, mídias nacionais fingem que nada acontece, mídias internacionais estão atentas, os protestos parecem estar se alinhando, o PT e o PSDB não sabem o que fazer com eles. E o petrolão, só mais um escândalo?

Protestos. Voltemos para junho de 2013, quando movimentos de dentro da USP tentaram fermentar uma revolta nacional -- para dar um passo mais definitivo para a "democracia plena" -- e esses protestos saíram fora do controle: quem era quem lá? protestavam contra o quê? Mas vem a eleição de 2014, o povo se divide (ainda explicarei aqui como) e metade rechaça o que aí está, protestos se levantam novamente. Essas urnas (que nenhum país que se preste leva a sério) são operadas e fiscalizadas (!) pelo TSE, sendo que uma pequena auditoria pela UnB já testou e mostrou a infantilidade desse equipamento, que deixa vulnerável a base da democracia: o voto.

Essa eleição opera a filtração dos protestos de 2013. É possível saber quem engrossou aquele movimento, em que a esquerda despertou, a direita povoou e a esquerda precisou esfriar. Essas pessoas já estão começando a entender contra o que protestam e como se mobilizarem. Isso tem dividido o PSDB e tem deixado louco o PT. Metade do PSDB (FHC, Serra, Alckmin) quer fazer o papel pusilânime, mas outra metade (Álvaro Dias, Aloysio Nunes) quer surfar a onda e assumir a voz e os anseios de quem se cansou. Aécio não sabe em que metade quer ficar, oscila pra lá e pra cá.

Petrolão. Assim como o Mensalão, é gravíssima a compra da "governabilidade", que nada mais é do que comprar as consciências de quem sabe que o projeto do PT não é o que o Brasil quer. Compram o Congresso, compram o povo (Bolsa Família), sujam as mãos de todos, corrompem funcionários públicos, empresários... fica aquela sopa de governo, partido, empresas sanguessugas. Esses Paulos Robertos Costas ou Youssefs estão se aproveitando de delação premiada -- enquanto ainda existe estado de direito -- pois talvez pressintam que os primeiros que são degolados são os asseclas dos comunistas (a revolução autofágica -- Robespierre manda um abraço): é hora de pular do barco, aproveitando que não temos uma corte como a da Venezuela.

Timing. Congresso mais conservador desde 1964, Brasil quebrado, PT totalitário (Foro de São Paulo)... O PT sempre caminhou para a tomada completa do poder -- poder em sentido amplo (Maquiavel, Gramsci) -- e a hegemonia buscada tem enfrentado o crescimento de uma oposição (que ainda está em fase de criação da identidade. Aécio se pavoneou, se envaideceu dos votos, mas não tem sabido identificar sua origem: vai acabar perdendo a oportunidade. Estudemos a reação.

Quando o comunismo caiu em 1964 , a situação era invertida em relação a hoje, majoritariamente um Brasil católico (sob forte influência da TFP) que clamou aos militares a expulsão dessa doutrina infiltrada (desde a década de 30) e anti-nacional. A ocupação de espaço foi acontecendo, os militares combateram uma das lâminas da tesoura, a luta armada, mas a outra -- a cultural (mídias e educação) -- foi ocupada completamente, de forma que ainda a pouco pessoas como as do IPCO ou o Olavo de Carvalho só tinham influência restrita a um círculo intelectual. Mas a internet possibilitou a reversão da situação pela direita de forma rápida e espontânea (e não com militantes pagos) em pouquíssimo tempo. Isso incomoda.

O PT não aceita perder o poder: eis o fato. E daí a importância do timing. Vários fatores têm se formado, os lados estão se definindo, o ódio já foi previamente lançado. O Brasil indo para o buraco teria um resultado óbvio: o PT perde as eleições em 2018. Mas há outros fatores: a confiabilidade das urnas, o aparelhamento do STF, a anulação do Congresso (projetos e mais projetos de "participação popular"), os movimentos terroristas sociais, a América Latina bolivariana. De duas, uma: ou o PT perde e se deixa cair (pois o Brasil sem o PT buscará a limpeza ativa e progressiva, o que acabará com o PT), ou o PT dará o salto definitivo. Tudo isso envolve os melhores momentos para ação, pois isso é um xadrez.

A vigilância, o afastamento da ignorância e da ingenuidade, tudo isso pode os resultados serem menos drásticos.

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