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| Ecce stultorum corruptorumque ecclesia |
Desnecessário explicar que os textos deste blog levam a concluir que quando rotulamos alguém de petista, na verdade estamos nos referindo praticamente a toda a esquerda (a extrema e a sedizente soft). Neste artigo, quero destacar como pensam os petistas "esclarecidos", quais são os meandros do raciocínio que os levam a crer que o PT é a única coisa com credibilidade no Brasil. Apresento o resumo do texto: o convicto pró-PT precisa acreditar nas mais absurdas na paranoia de que é " a oposição ou é ignorante ou faz parte da conspiração contra o poder do povo, querendo manter o status quo". Por "esclarecidos" entenda-se a militância de esquerda a que se considere intelectual.
Opção incondicional pelo PT: outro resumo do texto. Se o PT é oposição, já se atribui a virtude da incorruptibilidade. Se é poder, busca a governância. Se o acusam de corrupção, nega. Se a corrupção é mais do que patente, dizem que sempre foi assim, que foi o legado de 500 anos de Brasil. Se dizem que a corrupção no Brasil -- como "nunca antef na hiftória deffe paíf" -- é a maior já vista e imaginada, dizem que o PT é o primeiro que permitiu investigar (como talvez diria Luís XIV, "a Polícia Federal sou eu"). Isso fora a frase clássica, a infalível, aquela da qual faz jus todos que assumem um cargo de responsabilidade: "eu não sabia de nada".
Basicamente, quando o governo faz algo de bom (onde? quando?), aí o PT é quem fez. Por enquanto, não vi nenhum projeto bom além da compra institucionalizada de votos: plataforma de campanha e de terrorismo eleitoral contra adversários. Quando só destrói e corrompe, são os outros, a mídia golpista, os coronéis, a burguesia retrógrada. O PT é a mesma promessa do socialismo, a utopia do futuro ("Brasil, o país do futuro"), a bela imagem que quanto mais a gente anda mais se afasta, a imagem que justifica quaisquer procedimentos heterodoxos.
O PT, como projeto de poder, aplica o maquiavelismo estrito. Não é preciso evocar a Escola de Frankfurt ou demais pensadores como Gramsci para concluir isso, embora seja essa a dedução mais clara do que consiste a Engenharia Social por detrás de fatos tão desconexos. Se os fins justificam os meios, nada melhor que usar de todas as ferramentas disponíveis, principalmente a melhor: a mentira. Mas, e os "esclarecidos"? Claramente a operação descrita neste parágrafo anterior não revela os "esclarecidos", pois esse é o pessoal que sabe o que faz e que justamente não faz questão de assumir o vergonhoso papel da militância berrante.
Para encontrar os "esclarecidos" é preciso buscar na ortodoxia petista, representada hoje pelo PSOL da Luciana Genro. Ela teve nas eleições de 2014 o discurso que todo imbecil-bovino de Universidade queria ouvir de um candidato. O PT passou o bastão da emissão de opiniões de esquerda para poder assumir o poder efetivo, que carece de "medidas práticas para resolver problemas concretos". É bom manter imaculada a opinião de esquerda, sem com isso perder o poder.
Mas relembremos o que disse a Luciana Gerno. "blablablabla ... capital financeiro ... blablablabla". Resumindo: o ódio da esquerda em existir gente que ganhe dinheiro (inveja) e que esse dinheiro não esteja à sua mão, para que ela redistribua a seu bel prazer. Além da defesa das leis que travarão muita coisa e que só O PARTIDO-estado governante terá autorização para burlar. Mas de onde surge a paranoia?
Nesse momento é que podemos avaliar a educação. A educação é o remédio pra todos os males (pra mim o remédio é fomentar/parar de atrapalhar o emprego, mas enfim), mas ela pode se tornar o maior suicídio, do forma que talvez a ignorância fosse preferível. A educação de fato é a realização do homem, que vai se construindo. Mas vivemos hoje no mundo da educação com diretriz 100% estatal, no mundo da cultura de massas, no mundo das mídias sensacionalistas.
Quem se lembra do professor de ensino básico? Aquela aulinha de história, de geografia, de filosofia... de qualquer ciência social. Alguém já frequentou numa Universidade qualquer curso da área de humanas? Psicologia, arquitetura, letras, artes? Pois é nessas ocasiões que se ensina, em doses mais ou menos homeopáticas, o ideal esquerdista hermético. Pode ser sutilmente, sem a consciência ativa do ouvinte, ou pode ser por interesse voluntário (após o devoto já ter professado sua fé há muito tempo).
Se por um lado fomenta-se o ódio de classes -- sendo o ódio ortodoxo o contra a posse dos meios de produção (dinheiro, principalmente) e o ódio periférico o de qualquer minoria -- que traz sempre no devoto um ar passional. O asco que surge nesse fiel ao se deparar com um fascista ("fascista": qualquer um que discorde dele), o sangue lhe sobe à cabeça e ele ardentemente toma seu posto na cruzada. Mas não só.
O devoto intelectualoide se embeberá da literatura hipnotizante e inebriante. A característica desses textos é explicar todos os meios disponíveis de poder (Maquiavel), planejar sua tomada e identificar os agentes resistentes à sua missão, seus inimigos. Seu inimigo óbvio é o capitalismo, mas não menos o é a Igreja, pois se trata de Materialismo Dialético. O comunista que sempre denunciará e terá medo de ser assaltado por sua própria práxis, estudará as diversas sociedades secretas (sendo ele pertencente a uma das piores) e daí virá o medo.
Sempre que uma força se opuser aos seus planos, normalmente na luta discreta (invisível) dos bastidores alheios ao grande público (bovino, tratado à cultura de massas), o intelectualoide fiel pensará: mais um golpe desferido pelos entes ocultos contra a "verdade dogmática da esquerda". Da mesma forma que sempre a culpa (pela corrupção e afins) é dos outros , os outros serão sempre agentes (conscientes ou não) dessas entidades controladoras do mundo. De forma que o petista dará sempre 100% de credibilidade ao PT e 0% de credibilidades os inimigos enumerados pelo partido.
Desnecessário argumentar que é uma igreja, das mais pagãs. Podem ver que o expediente básico é dividir o mundo entre NósOsBons versus ElesOsMaus. E o critério da bondade/maldade, do crível/inverossímil, do correto/conspiração... é a pertença ao... ao... ao... partido!! São os intelectuais orgânicos. Até o católico mais simplório sabe que "Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus" (Mt 7, 21). Que será que Sócrates acharia do cara que considera o amigo mais honesto que o inimigo, só por ser seu amigo?
O inimigo do PT, da esquerda, será sempre o mal irremediável

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