segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Eleições 2014 - Próximos passos

Independência do Brasil, Pedro Américo

Podemos comemorar esse esboço de reação nas eleições de 2014. Meio Brasil contra a máquina do governo: foi uma derrota, mas no entanto digna e animadora. Creio que os vários textos deste blog demonstram uma verdade irrefutável: cada um deve exercer seu dever cívico de participar da política, não se deve delegar ou confiar que outro faça a sua parte. Assim como cada um cuida da sua saúde, do seu trabalho... deve cuidar também do seu meio próximo, a família, os filhos, a vizinhança... e deve cuidar da sociedade... até o nível transcendental, em que se considera a ordem do universo, material e espiritual.

Se tem a ver com minha vida, não posso delegar. De toda coisa que existe, um pouco tem a ver comigo. Tem gente que acha que pode ser ignorante completo sobre um assunto, mas o saudável é dominar um pouquinho de tudo. Pois no passado faziam várias imagens do brasileiro, aquele pacífico, apolítico, promíscuo, preguiçoso, ignorante, de terceiro mundo. Visões que são uma anti-imagem identitária, uma contra-motivação, uma pedagogia às avessas.

Nessa eleição aprendemos lições "tudo em uma". E os próximos anos serão como um passo inicial que não só o governo terá que dar, porém todo brasileiro será convocado à missão de tomada consciente da realidade nas próprias mãos. O PT já reconhece que perde nas redes sociais e talvez queira mais controle nas redes sociais e na mídia. O brasileiro percebeu que a mera discussão econômica não é suficiente e isso foi demonstrado nas urnas. Há assuntos anteriores.

Não há economia se antes não houver liberdade política. O politicamente correto quer calar. O brasileiro não pode ir e vir, pois há estados dentro do estado: terras sem lei, dominadas pela criminalidade. O empresário é considerado bandido só por existir e a legislação babilônica só comprova essa opinião. O ódio de classes foi alimentado até o limite do suportável do artificialismo: branco vs negro, índios vs brasileiros, homem vs mulher, heterossexual vs homoafetivo, religião vs estado, industrial/fazendeiro vs natureza, pobres vs ricos, paulistas vs nordestinos, ElesOsMaus vs NósOsBons. A riqueza da participação democrática só ocorre quando o governo consegue conciliar as vontades conflitantes do povo, mas não quando um partido quer enfiar sua ideologia goela abaixo do povo, contra sua vontade.

O fato da estrutura política ser mais importante que a econômica, ainda esconde o fato de que a vitalidade moral ainda é mais importante que a política. A minha experiência verifica que pouco vigor moral leva à indolência e à apatia diante da realidade. O direito deve realizar-se de forma que o povo tenha percepção verdadeira de justiça. Pelo contrário, a atmosfera cultural, que esse governo omisso permite/fomenta, só traz em seu bojo o relativismo e a indiferença. Mas um homem é um ser moral, ele tem brio e indignação. Se isso lhe é negado, ele se torna bovino, sem reação (por que o governo quer isso?).

Concretamente, a defesa da moral envolve atos concretos. Não devem ser louvadas ideias que a população seja contra. A conduta moral que o estado deve defender é a que permite o melhor convívio da maioria. A punição a atos de corrupção deve ser exemplar. O direito à vida deve ser A PRIORIDADE, acima de todas: o Brasil é o país mais violento do mundo, mata-se mais de 50 mil por ano. O direito à vida é inclusive simbólico: a liberação do aborto não quer o bem da mulher, mas o rebaixamento do significado humano.

Há a necessidade do mea culpa, pois nós temos políticos criminosos que não renegaram seu passado. O único que se retratou foi Fernando Gabeira. Esses políticos defenderam a revolução comunista e nunca disseram com todas as letras que se arrependeram. Se nazismo é uma doutrina proibida, quanto mais não será o comunismo? A própria Comissão da Verdade é uma oportunidade para isso: se querem revisar o passado (ao arrepio do combinado anterior da anistia, o que é obviamente revanchismo), comecem exorcizando seu erro.

Haverá guerra a partir de agora, pois o PT durante todo esse tempo (mesmo antes do governo) se apossou de vários poderes concretos. O livre trânsito dado a movimentos como MST para depredar e violar a propriedade. E os sindicatos? O PT tem umas duas gerações inteiras de intelectuais que distorcem a realidade, principalmente em setores onde isso é inadmissível: universidade e meios de comunicação. As estatais e administração pública, aparelhados, serão conclamados a paralisar o sistema, para que não funcione. O PT já tem um STF só seu. Nem preciso dizer que as esquerdas sempre fizeram apologia ao crime, que há muito é organizado.

Por isso que o brasileiro não poderá mais se eximir de sua responsabilidade. Meio Brasil tem uma percepção de que as coisas vão mal, que as instituições estão sendo pervertidas/subvertidas; foi esse Brasil que saiu às ruas. A outra metade é o mesmo Brasil, mas alienada. Não há as divisões no Brasil que nos querem fazer acreditar.

Para a participação concreta, dou algumas dicas para que as pessoas possam agir:
  1. Confiar em primeiro lugar na providência, lembrando sempre disso, rendendo as homenagens devidas aos benefícios concedidos e pedindo os auxílios necessários;
  2. Investir na própria conduta moral, nos pequenos atos;
  3. Cobrar a redução da criminalidade e reinvestir nas Forças Armadas, para que defendam as fronteiras, por onde passam as armas ilegais;
  4. Ajudar e respeitar as instituições, favorecendo a segurança jurídica; nunca pregar a desobediência (exceção: Estado que persegue a opinião), nem o vandalismo;
  5. Vigiar as leis criadas visando unicamente cercear a sociedade;
  6. Cobrar a redução do poder do estado e de sua influência, privilegiando a descentralização das decisões e do gasto público, reduzindo a complexidade e burocracia jurídica (impostos, "República dos cartórios", legislação trabalhista etc.); e
  7. Exercitar a compreensão dos investimentos de longo prazo (que se sentem nos governos seguintes) e cobrar infraestrutura.

O brasileiro não poderá mais se eximir de sua responsabilidade.

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