quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Estado laico

De que se trata, afinal? A tese nesse texto é que não passa de estado ateu, conforme tem agido a justiça.

Suponhamos uma repartição em que um servidor público — ou mesmo vários em comum acordo — coloque um crucifixo na parede. Há lides judiciais pedindo que seja retirada. Mas, de que se trata?


Uma mera cruz, em termos decorativos, não passa de um adereço ao ambiente. Na cabeça do cristão, ela tem um significado. Na cabeça de um desavisado, é um objeto qualquer. Ou seja, o significado está na cabeça de quem vê e não no objeto. Quantos símbolos ocultistas circulam por aí sem que ninguém saiba o significado? E se eu fundar uma igreja dos adoradores dos quadros de van Gogh, não poderei colocar lá seu quadro?

Mesmo que por lá passe um muçulmano, aquela imagem da cruz não o forçará a prostrar-se ante um falso Deus. Ele passará e verá um objeto qualquer. Ou ainda vai pensar de quem lá esteja: "bando de infiéis". 

Um objeto colocado num recinto indica que ali tem uma pessoa. Qualquer um quer deixar o lugar onde trabalha mais agradável, colocando os objetos que preferir. Um estado despersonalizado é um estado de não-pessoas, de máquinas.

Se fosse um estado confessional (de alguma religião), as cruzes seriam obrigatórias. Se fosse um estado ateu, cruzes significando deuses seriam proibidas. Um estado laico verdadeiro deixa a encargo das pessoas, que são livres.

Logo, um estado leigo que proíbe cruzes — ou qualquer menção religiosa — é na verdade ateu. E quem defende isso já tem uma cota de burrice socialmente acima do aceitável.
Aliás, leigo (laico) é o religioso que não pertence ao clero.



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Postado no Facebook em 22/05/2014


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Post scriptum em 03/08/2015:

Resumo para quem queria se defender contra a alegação "mas o Brasil é um Estado Laico".

Estado confessional seria aquele subordinado ao poder clerical, ou seja, cuja legitimidade vem da Igreja, precisando de sua ratificação para determinadas ações. Ou seja, os leigos (laicus, em latim), os fiéis, seriam governados no fundo pelos bispos e pelo Papa. Observe: leigo é ligado à religião, mas não ordenado  numa instituição. Nesse sentido pouquíssimos estados (como a Arábia Saudita) podem ser considerados Confessionais. O Brasil é laico faz tempo. Só que não é isso que alguns querem indicar pela palavra "laico".

Antropólogos e sociólogos (cientistas sociais), rebaixando e relativizando o valor das religiões, dizem que elas são apenas produtos culturais. Não haveria nada de transcendental, pois tudo seria criação humana (o cristianismo acredita numa religião herdada diretamente de Deus, Jesus Cristo). Então a religião estaria no mesmo saco do folclore, carnaval, festas típicas, roupas típicas, arquiteturas e estilos musicais de época etc.

Por isso mesmo, considero esse argumento como uma completa falácia. Tudo o que é discutido no legislativo é cultural. Ora, se religião é cultural, então há há razão nenhuma para excluí-la dos assuntos do legislativo. Seria o mesmo que proibir os africanos de trazerem sua cultura para o Brasil. Ou seja, toda essa questão é apenas burrice. Chame tranquilamente de burros os que defendem este tipo de estado laico, pois é o que realmente são.

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