No meu trabalho me deparo com um fenômeno — e suponho aqui que possa ser generalizado — de pessoas reclamando do fato delas usarem pouco daquilo que aprenderam em sua formação (graduação, pós etc.).
Comento primeiro a parte menos importante, que é o fato de as coisas no Brasil serem contraditórias, invertidas e avacalhadas.
O Brasil, herdeiro do Império, sempre teve uma afeição aos títulos honoríficos, os quais eram distintivos sociais. Tem gente que é contra. Não faço agora juízo de valor. No entanto, a nova casta, nesse Brasil republicano e igualitário, — poderia dizer até casta "sacerdotal", para essa sociedade arreligiosa — para ter status social é o diploma, que equivale ao título de conde, duque, barão etc.
O brasileiro não foca no aprendizado ou no serviço, mas ele deseja posição social e... dinheiro. Mas o brasileiro que dá uma de esperto e avacalha com tudo. O salário do professor, o consumo da "cultura" pelo povo é a prova da importância devotada. Talvez o diploma conte para um concursinho em que se mame nos favores do estado.
Se tem uma coisa que sempre notei em comunistas foi o nojo dos pobres. Ele quer acabar com a pobreza menos por compaixão do que por desprezo. Além da inveja característica. Não é à toa que esse arremedo de filosofia cativou o nível ordinário do pensamento do Brasil.
Após mostrar que o brasileiro quer ser mais importante que o resto, embora esperneie o igualitarismo (ai contradição!), chego na parte principal deste texto, que é sobre a melhor educação.
Tem gente que acha que chega na faculdade, recebe uma caixa de ferramentas (simbolizada no diploma), que sempre terá uma ferramenta para todos os desafios que surgirem na vida do trabalho. Mas a ponta da chave de fenda não encaixa no problema.
O engenheiro mesmo, vaidoso de suas capacidades técnicas, se verá, ao galgar postos altos, a gerenciar pessoas e recursos, com técnicas elementares, até mesmo pueris. Ledo engano.
Boa ciência é aquela que pensa no outro, que serve pra alguma coisa. Ela é ensinada em escolas? Talvez sim, mas de forma desumanizada: seja nas baboseiras dos gurus consultores de empresas, ou na abordagem cínica e animalesca da psicologia. Em verdade, não haverá compreensão entre pessoas sem que se entenda o sacrifício de si, a lapidação de si como a uma obra de arte. Só houve um exemplo disso. Enfim.
Esta ciência não é ensinada porque isso nem seria possível. Começa com conceitos mais tênues (que fogem às palavras), passa por exemplos sutis e pequenos (desapercebidos do barulho geral) e chega na ascese interior. Todo o resto é blablabla, má filosofia, enganação e NÃO VAI CHEGAR A LUGAR ALGUM.
Não é mero ensino, mas é educação, que começa desde o berço. E ai de quem negligencia quem está no berço, dando mais atenção aos momentos em que o filho está mais próximo do vestibular! A parte principal é a inicial, em que a criança aprende (pelo bom exemplo) os fundamentos que sustentarão todo o conhecimento posterior.
E tem gente que acha que é opcional. Afinal, a gente dá uma "remendada" mais pra frente. "Bora curtir ao invés de ficar se esquentado?" Quem disse bem foi meu primo Marcelo: "o Brasil tem a melhor representação política do mundo, a classe política é — nem mais, nem menos — exatamente o reflexo da população brasileira".
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